História e localização
São Pedro localiza-se no centro do Estado de São Paulo. Nas encostas do planalto paulista, numa “cuesta”, acidente geográfico que o povo prefere chamar de Serra do Itaqueri. Ao longe, lembra um presépio napolitano: o casario na tentativa de chegar ao alto da Serra, entre muitas árvores, pastagens e plantações. Duas torres antigas encimadas por uma cruz destacam-se e assinalam a fé trazida pelos povoadores: três irmãos da família Teixeira de Barros, Joaquim, José e Luís. Ituanos, eles aportaram por aqui em meados do século XIX. Vieram com os numerosos familiares, escravos, empregados e agregados.
No Livro do Tombo da Matriz de São Pedro, Livro 2, pág. 72, encontra-se a referência ao ano em que eles vieram para cá. Quem faz o registro é o Padre Mercadante, pároco local de 1904 a 1906. Depois de muita pesquisa, a pedido do Bispo de São Paulo, o padre escreveu, no início de um texto de mais de 30 folhas: “A freguesia de São Pedro, hoje cidade, foi fundada em 1841 por Joaquim Teixeira de Barros...”
Os três irmãos vieram primeiramente de Itu para a Vila Nova da Constituição, hoje Piracicaba. Dali, resolveram desbravar os sertões, estender a fronteira agrícola. A margem direita do rio Piracicaba era considerada, na época, a fronteira natural das terras cultivadas, no caminho que levava ao interior do país. Em busca de terras ainda incultas, eles adquiriram a sesmaria do Pinheiro, com o compromisso assumido de iniciar uma povoação e formar fazendas para o plantio de cana-de-açúcar, café e também criação de gado leiteiro. Ribeirões e nascentes garantiam água em abundância na região escolhida. E as terras eram extremamente férteis.
No local, passava o Picadão do Mato Grosso, trilha aberta em 1725 por Luís Pedroso de Barros. O caminho saía de Itu, rumo às minas de Cuiabá. Naqueles tempos, índios pouco amistosos e animais ferozes representavam grande perigo para os que demandavam o interior do país.
Para evitar a perda de vidas humanas e de carregamentos de ouro, o governo determinou que houvesse pousos para o pernoite, descanso e proteção dos viajantes, em lugares estratégicos. Havia sempre um tropeiro para cuidar do pouso, que nada mais era do que uma cobertura de sapé sustentada por troncos de árvores. Na Sesmaria do Pinheiro, havia um desses pousos: o chamado Pouso do Picadão. O nome do tropeiro era Florianão, ou melhor, Floriano da Costa Pereira.
Luís e José Teixeira de Barros faleceram pouco tempo depois de chegarem. Joaquim, o mais velho, cognominado o Povoador, levou avante a empreitada que assumira, como líder do grupo pioneiro. A seguir, atraídas pela fertilidade da terra, vieram para cá mais famílias: os Andrade; os Morato; os Frota; os Mendes; os Mello; os Aranha; os Leite; os Gonçalves Ribeiro, os Gomes; os Soares; além de Veríssimo Prado, Malaquias Guerra, entre tantos outros. Os imigrantes viriam mais tarde, já no final do século XIX.
Homem de fé, Joaquim Teixeira de Barros, o mais velho dos irmãos, justamente chamado de o Povoador de São Pedro, tratou de erigir uma Capela no ponto mais alto, em terreno cedido por Florianão, para esse fim: entre os dois ribeirões: Samambaia e Pinheiro. A construção dessa primitiva capela era bem rústica: chão batido, paredes em taipa e cobertura de folhas de palmeira. O padroeiro: São Sebastião, santo protetor dos animais de criação. Assim, aquele pequeno aglomerado de casas passou a ser conhecido como Capela do Picadão.
Pouco tempo depois, por plebiscito, os habitantes do pequenino burgo resolveram mudar o padroeiro. Escolheram o Príncipe dos Apóstolos: São Pedro. A partir de 1856, quando Piracicaba foi elevada à categoria de cidade, foi criada oficialmente a Capela de São Pedro. Capela era o primeiro degrau na evolução administrativa de uma comunidade.
A povoação progrediu e aumentou significativamente a produção agrícola. A consequência foi sua elevação à categoria de Freguesia. Isso aconteceu aos 12/05/1864. Por decreto da Assembleia da Província de São Paulo, suas divisas foram fixadas. E ganhou o direito de ter um pároco. O primeiro padre aqui chegou em 1867: Padre Aurélio Votta, italiano. Ao passar para Freguesia, São Pedro também passou a contar com um Juiz de Paz.
Em 1879, São Pedro passou de Freguesia para Vila: a Villa de São Pedro de Piracicaba. Em 1881, por decreto do Governo da Província de São Paulo, foi elevada a Município e tornou-se independente de Piracicaba. A primeira Câmara Municipal foi instalada aos 11/02/1883. Em 1892, evoluiu para Comarca e recebeu o primeiro Juiz de Direito: Dr. João Batista Pinto de Toledo.
Joaquim Teixeira de Barros, o Povoador, faleceu aos 03/10/1897, com 104 anos de idade. Foi sepultado no subsolo da Igreja Matriz, por determinação da Câmara Municipal. Ali repousa, logo à direita, à entrada da Matriz, sob o Coro, ao lado da esposa, D. Joaquina Brandina de Escobar.
Praça Matriz na década de 30
Rua Verísssimo Prado
São Pedro/SP: R. Veríssimo Prado, 722 - Centro